Apetecia-me realmente poesia. Não sei porquê, lembrei-me de António Aleixo. Poeta popular de verso fácil. Algumas destas quadras só poderiam ser de Aleixo.
Vós que lá do vosso Império
prometeis um mundo novo,
calai-vos, que pode o povo
qu'rer um Mundo novo a sério.
Sem que discurso eu pedisse,
Ele falou, e eu escutei.
Gostei do que ele não disse;
do que disse não gostei.
Tu, que tanto prometeste
enquanto nada podias,
hoje que podes -- esqueceste
tudo o que prometias...
ou ainda:
Nomes feios há mais de um...
Mas calcula a tua classe,
Que não conheço nenhum
Que ainda ninguém te chamasse!
Quem trabalha e mata a fome
não come o pão de ninguém;
Mas quem não trabalha e come,
come sempre o pão de alguém!|
Mas que bom seria se:
Se já sofreste, não chores,
que a vida passa depressa...
Vamos ter dias melhores
e o passado pouco interessa.
Porque seria que me lembrei de António Aleixo? Fico intrigado! Logo hoje, dia que foi planeado para ser um dia bem passado, cheio de alegria. Acordei a rir, caso raro. Estou mesmo intrigado!!!