quinta-feira, 10 de junho de 2010

21 DE OUTUBRO DE 1974

Quarenta e um mortos e 88 feridos graves é o trágico balanço dos graves acontecimentos ocorridos em Lourenço Marques e subúrbios na passada 2ª feira. Provocados por um grupo descontrolado de comandos do exército Português que contaram com o apoio de agitadores brancos e pretos, esses acontecimentos acabaram por ser dominados pelas forças populares da Frelimo e por unidades militares portuguesas mas, apesar desta colaboração íntima e eficaz, a maneira criminosa como a situação surgiu e evoluiu originou a morte, a destruição e a miséria em muitos lares da capital e suas zonas suburbanas. Um comunicado conjunto do Alto Comissário da República Portuguesa e do Primeiro Ministro do Governo de Transição publicado na terça feira detalhava minuciosamente o que acontecera e acrescentava que esses agitadores responsáveis, brancos e negros, serão severamente punidos...........Mais adiante......É pois contra estes agitadores - ao serviço dos ideais de Joana Simeão, Simango, Murrupa, Gwengere, etc. - que a população de Lourenço Marques tem que estar atenta e firme, indicando - os às autoridades à menor provocação. Por outro lado, é urgente que os comités de partido e militantes da Frelimo desencadeiem uma acção acelerada de politização das massas nesse sentido. Para que acontecimentos como estes não se voltem a repetir, nunca mais. Diz um militante da frelimo na área do Bairro do Choupal : " Os que provocaram distúrbios e mortes são aqueles que têm ouvidos surdos, são, neste momento, as forças reaccionárias, são os maiores inimigos do povo. A Frelimo diz: Deixem de beber. Mas eles continuam a beber e, em filas vergonhosas, compram caixas de cerveja não só para beberem mas também para venderem mais caro. Mais caro do que na cantina e no bar. A Frelimo diz: A luta não é contra os brancos. A luta é contra o sistema. Eles não querem ouvir e gritam " Vamos matar todos os brancos. Todos os brancos são reaccionários . A Frelimo diz: "Sejam vigilantes mas não provoquem distúrbios ". Mas logo que surge uma oportunidade as cantinas voltam a ser assaltadas, viram-se carros ao contrário e são queimadas pessoas dentro deles sem a mais pequena hipótese de poderem sair dos carros.( publicado na revista Tempo em 27 Outubro de 1974). Resta dizer que todas as pessoas queimadas dentro dos automóveis eram brancos. Resta ainda dizer que a exemplar descolonização não levou em conta, Joana Simeão, Urias Simango e outros dissidentes da Frelimo, que tinham alguma força na altura do acordo de Lusaka. Não foram consultados. O acordo fez-se como se os outros não existissem. O Acordo de Lusaka fez parecer o tempo em que Oliveira Salazar dizia que quem não estivesse do lado do governo era Comunista. O governo português da altura agiu assim, da mesma forma de um sistema que tanto foi condenado por aqueles que fizeram o acordo. A isto se chama sede de poder. Os Comandos que provocaram ou não toda a situação do 21 de Outubro, nesse mesmo dia à noite embarcaram com destino a Lisboa. A mortandade continuou, porquê? O que a Frelimo, deixa saber por exemplo de Joana Simeão, é que foi traidora e reaccionária, a historia o revelará. Joana Simeão era caso ímpar, uma mulher de fibra. Sendo macua, foi dissidente da Frelimo, provavelmente, estará nisto a traição de Joana Simeão. Vem esta conversa fiada a propósito do 35º aniversário da independência de Moçambique. Joana Simeão foi um caso, deu um grande contributo para a emancipação da mulher moçambicana. A arma desta mulher foi a sabedoria. Assim sendo, só podia ter um fim: Morreu assassinada pela Frelimo. E Mondlane ?

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